Catorze crianças, cinco mulheres e uma luz

No ano de 1955 minha mãe leu no jornal “El Alcázar”, de 5 de fevereiro, a história de um tal Alberto San Martín que tinha uma pedra de Marte. Embora fosse uma publicação de fevereiro, a história ocorreu em 17 de novembro de 1954.

Alberto San Martín era enfermeiro, tinha 37 anos de idade e vivia no bairro de Cuatro Caminos num apartamento de aluguel, à rua Dulcinea. Ele acreditava que o ar das manhãs curava as enfermidades. Por isso se levantava muito cedo, às quatro da manhã, para caminhar pelas ruas e respirar o ar limpo. Certa manhã saiu de casa em direção à Moncloa e de repente, na estrada “de la Coruña”, viu uma espécie de pessoa e dela se aproximou. Quando chegou perto dela seus olhos viram um ser de cor cinza e cabelos amarelos, quase albino. Essa personagem em nenhum momento lhe falou, mas gesticulava de diversas maneiras como quem tenta se comunicar. Um dos gestos era como se fosse “espere”. Em seguida, foi até uma esquina e o enfermeiro permaneceu esperando. Logo aquele ser regressou para lhe entregar uma espécie de pedra, colocou em sua mão e partiu. Alberto ao olhar por onde havia ido aquela personagem, viu um objeto luminoso que se perdeu nas altuas e o ser cinza já não estava na estrada.

A pedra tinha uma forma retangular e era de cor rosa e, além disso, trocava de cor.

Eu cresci ouvindo esta história em minha casa e, quem sabe por isso, escolhi minha profissão de policial.

O fenômeno das abduções é muito polêmico. Sobre isso há diferentes visões, inclusive a que eu tinha até ontem. Jamais acreditei que uma tal criatura de Marte veio à Madri para dar de presente a alguém uma pedra. E ainda mais incrível, o feito de que partiu em sue disco voador desde a estrada “de la Coruña” até seu mundo. Tampouco tive vontade de fazer uma investigação sobre fenômenos sobrenaturais. Mas ontem, recebi um telefonema de uma mulher em meu escritório que pareceu muito estranho. Ela falava de uma dezena de crianças, dos quais um era seu filho, que não voltaram para casa desde a noite anterior. Estava nervosa assim como outras vozes muito agitadas ao fundo, inclusive algumas chorosas.

Meu nome é Javier Gallego, oficial de polícia, e lhes exporei o que aconteceu.

Em um sábado, 4 de julho, um grupo de catorze crianças foram com seus respectivos pais a “Miraflores de la Sierra”, para passar ali as férias de verão. Todas as noites as crianças íam a uma montanha para olhar o céu. Perceberam que nas sextas surgiam luzes repentinas nas alturas. Tentaram falar disso com seus pais, mas ninguém lhes dava atenção. Na noite de 31 de julho, isto é, faz dois dias, as crianças gravaram o fenômeno com seus celulares e se esconderam debaixo de umas mantas verdes.

Na manhã seguinte, isto é, ontem, nenhum deles voltou para casa. Os pais telefonaram para a polícia, eu os atendi e logo virão os jornalistas para ouvir o que agora lhes conto.

Após o telefonema, ordenei a meu assistente que reunisse os demais policiais, inclusive aqueles que se encontravam em casa. Meia hora depois, aqui em meu escritório, lhes expliquei o assunto daquele telefonema. Planejamos a busca das crianças. Começamos por ouvir os pais com o objetivo de conhecer a rotina diária das crianças naquele lugar onde estavam de férias. Um dos pais se lembrou de uma história de luzes numa montanha que sua filha tinha tentando relatar, mas não lhe deu atenção. Assim, foi organizada uma busca nas montanhas.

Por fim, na montanha mais próxima da estrada, minha equipe descobriu cinco celulares com as imagens gravadas do que aconteceu.

O vídeo começa com uma abundância de luz de brilho azulado intenso por dezessete segundos. Enquanto isso, se pode ouvir dois sons distintos, como os de uma ambulância. Porém, ao contrário, eram tons muito graves e roucos. Pouco a pouco a intensidade luminosa se reduziu até se conseguir ver as crianças, através de um celular que parecia pendurado em uma árvore. A imagem nos mostra as crianças de costas. Entretanto, as imagens de outro celular, possivelmente deixado sobre uma rocha, nos mostra seus rostos como se fossem pequenos anjos.

As luzes vinham de apenas um objeto voador. De dentro dele saíram cinco mulheres magras e altas, de dois metros e meio, olhos violetas, cabelos compridos e brancos, a pele bronzeada, ou talvez, de cor cinza. Eram muito amáveis. Não falavam e se comunicavam por gestos. Quando abriam a boca, cantavam. As crianças pareciam hipnotizadas. As luzes da aeronave eram muito atraentes, de modo que as criancas se aproximaram para ver.

Segundo as imagens dos vídeos, havia uma boa harmonia entre elas e as mulheres. Un garoto que foi identificado como o filho da mulher que me telefonou, pisou no primeiro degrau da escada feita de fumaça e névoa, abaixo do objeto voador. As mulheres sorriam e convidavam os demais para subir. Tudo se passava com muita serenidade.

Enquanto via os vídeos, minha equipe comentava “que mulheres encantadoras”, que belos olhos violetas”, “que sorriso”, “que luz”. E ainda, em meio a tais reações, caíam-lhes as lágrimas.

As crianças subiram na aeronave, uma após outra, sem pressa e embora andassem com seus pés, se tem a impressão de que flutuavam.

Após aquelas imagens de dois minutos e nove segundos de gravação, subitamente tudo desapareceu. Os celulares permaneceram ligados e gravando o céu sem fundo, escuro, opaco, isto é, um silêncio vazio.

Tudo o que restou foram os celulares e as mantas no cume da montanha.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.