Quem lê o que escrevo neste exato momento

Impossível saber.

Ontem à noite, 31 de março de 2020, li o conto “Um coração singelo”, de Gustave Flaubert (1821-1880). Ele escreveu para as pessoas de sua época ou para as pessoas do futuro? Estou no século XXI e li seu conto publicado em 27 de abril de 1877, há 143 anos.

Podemos ir mais longe, se você leu Sade ou Shakespeare; mais longe se leu Aristóteles; até chegarmos nas pinturas das cavernas.

As obras escritas no passado foram escritas para o público da época, imagino. Felizmente, muitas obras venceram o tempo e chegaram às mãos do público do além.

Se viagem no tempo existisse, eu adoraria brincar na rua com o Gabriel García Márquez (1927-2014), durante a infância dele e dizer: “você vai ser famoso, vai ganhar um Nobel de Literatura”; eu queria tomar café com a Flannery O’Connor (1925-1964), dizer que sou apaixonado por ela, dizer que olho sua foto e não escuto sua voz, abro a janela de madrugada e me lembro que ela está enterrada no Memory Hill Cemetery, Milledgeville, na Geórgia, ao lado do seu pai.

1935, Gabriel García Márquez (centro, aos 8 anos de idade).
1935, Gabriel García Márquez (centro, aos 8 anos de idade).
1947, aos 22 anos de idade.
1947, aos 22 anos de idade.

Há muitos mortos que deixaram seus textos para o além. Difícil saber se tinham esta intenção.

É um privilégio ser lido por alguém do futuro.

2 comentários em “Escrevendo para o além

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