Noite crua

Fumaça.Vela derretida.Fome. Brasa entre minhas pernas.Fome que faz doer, fome de dois sons entre duas gargantas. A lua se derrete, o tempo se derrete, meus líquidos, ácidos ávidos, libertam-se dentro de mim. Vela e lua, claridade fugaz. Deixei o portão aberto. Meu corpo descoberto. Sou teu alvo, traz tua flecha. Mas não aquela dos cupidos, […]

Coisa de poeta

Um café pra acordarUm beijo pra acalmarUma lâmina pra afiarUma rima pra respirarMeus pés na terra do quintalMinha voz na garganta quietaMeu desejo era sexualNão é coisa de poetaVivo preso à janelaOlho a rua e seus mendigosAlguém bate à minha portaÉ sempre isso que imaginoA rima se perdeuNão é coisa de poeta

Agora ou sempre

Flutuava entre o passado e o futuro até ouvir tua voz. Enquanto desfalecia a luz da lua, vi que minha solidão subia os degraus de uma nova manhã. Agora, enquanto te vejo passar pelas ruas, minha alma e eu saboreamos com prazer o tempo que soa com sua brisa. À noite os postes acendem para […]

Ávido plácido

Um poema atemporal ultrapassa o tempo Meu sonho por ti são rimas de fragmentos Conheço o que me traz cólera ou alento Caminho entre o ópio e o tormento No meu epitáfio quero a palavra desamor No palácio do teu corpo vi outras sementes Quantas pontadas de fé moveram minha dor Tantas lamúrias por ti […]

Noturna mente

A noite é uma cópia da escuridão Deixo aberta a janela para a brisa roçar tua imagem em minha boca Cada noite é uma profecia enferma Deuses semi-acabados em mármores abandonados, brasas que teimam em arder na última montanha de névoa, música que dorme dentro de um instrumento sem dono, uma espécie de morte das […]